Monitorização da qualidade dos cursos de água - Elementos hidromorfológicos

Por habitat ripário entende-se toda a vegetação presente nas margens de um determinado curso de água. Este tipo de habitat apresenta-se como um elemento chave para o funcionamento dos rios, quer por proporcionar alimento e refúgio para várias espécies, quer pela sua contribuição na manutenção de uma elevada biodiversidade. A vegetação ribeirinha desempenha ainda um importante papel na protecção das águas da contaminação difusa proveniente dos terrenos agrícolas e no controlo da temperatura das águas. A avaliação da qualidade do habitat ripário foi efectuada “in situ”, em quatro pontos de amostragem por cada curso de água, através do cálculo do índice de Qualidade do Bosque Ripário (QBR). 

Este índice tem em conta os seguintes aspectos: 

• O grau de cobertura vegetal ripária;

• A estrutura vertical da vegetação; 

• A qualidade e a diversidade da cobertura vegetal; 

• O grau de naturalidade do curso de água. 

Os rios e ribeiras monitorizados foram posteriormente classificados com base nas classes apresentadas no Quadro 3.

Quadro 3. Critérios de classificação dos cursos de água com base nos valores determinados pelo índice QBR

Em relação aos habitats ripícolas, verificou-se um panorama transversal a todos os cursos de água, observando-se uma forte pressão devida à ocupação agrícola, à expansão descontrolada de espécies exóticas invasoras e à artificialização dos leitos e das margens nas zonas urbanas.

 

Quadro 4. Classificação na qualidade do habitat ripários nos pontos de amostragem de cada um dos cursos de água

Ao longo da campanha de monitorização verificou-se a presença de espécies autóctones características dos ecossistemas ribeirinhos, como o Salgueiro, o Freixo, o Amieiro e o Choupo-negro, mas com comunidades muito reduzidas, muitas vezes limitadas a poucos exemplares, enquanto se verificam comunidades extensas de espécies invasoras. Os rios da Região Centro possuem problemas graves de proliferação de Cana (Arundo donax). Na Ribeira de Odelouca, para além da existência de Cana (Arundo donax), foi identificada uma considerável presença de Acácia-mimosa (Acacia dealbata). O Rio Ave apresenta uma ocupação reduzida de espécies invasoras, pelo que um plano de controlo adequado e atempado pode contribuir para a prevenção da sua expansão.